sexta-feira, 31 de maio de 2013

A banca da dona Carmine

O Marketing é simples. Basta uma visão atenta para que possamos percebê-lo à todo momento em nosso dia-a-dia. E o mais importante, com uma simplicidade e eficiência que nem as grandes corporações, com seus vastos investimentos, nem sempre conseguem aplicar, principalmente pela distância que procuram manter de seus consumidores.
Para exemplificar, contarei o caso de Carmine Labanca (nome fictício para a dona da banca  – foi o nome do imigrante italiano que montou a primeira banca de Jornal no Brasil). Ela tem uma banca de jornal no estacionamento de um supermercado perto de minha casa. É uma banca simples se comparada com tantas que existem nos grandes centros, mas completa em sua variedade de ofertas.
Um dia desses, em minhas férias, eu estava procurando por uma coleção de revistas que coleciono. Já havia passado em várias bancas, mas a resposta era a mesma: “não tenho, já acabou, ou não sei do que esta falando”. Após várias buscas e desapontado, acabei chegando à banca da Carmine. Como ocorreu nas outras vezes, a resposta foi que já havia vendido todos os exemplares. Fiquei mais uma vez chateado, pois não queria perder a coleção. Estava saindo cabisbaixo quando Carmine disse: “me deixe o número de seu celular que conseguirei a revista para você”.
Como já estou acostumado com falsas promessas da maioria das empresas que transacionamos, deixei o número meio a contragosto, pois, achei que seria apenas um ato de educação de sua parte, ou de pena ao ver minha decepção por passar em mais uma banca e ter meu desejo frustrado mais uma vez.
Pois, não é que após dois dias recebo uma mensagem no celular avisando que a minha revista havia chegado e que, se ainda tivesse interesse estaria me esperando? Este fato ocorreu há quase um ano e, toda vez que minha revista chega (é quinzenal e já estamos no número 25!!), recebo uma mensagem muito educada informando a sua disponibilidade. Nunca falha. Ás vezes vejo em outras bancas que a revista chegou, mas, aguento firme o meu impulso de comprar em outro local e fico aguardando a mensagem da Carmine.
Este é um caso do poder do Marketing. Provavelmente sem estudar o assunto, Carmine consegue usar várias estratégias de mercadológicas para fidelizar os seus clientes. Sem a tecnologia à disposição das grandes corporações e, com o uso de um celular e uma caderneta, consegue ter mais informações de seus clientes do que as grandes corporações. Sua caderneta é o seu CRM (Customer Relationship Management), seu olhar atento é seu SIM (Sistema de Informação de Marketing) e o seu celular a ferramenta de comunicação.
Com a sua caderneta anota cuidadosamente quem são seus clientes, seu telefone ou endereço, o que costumam comprar e a data de compra. Em uma ocasião ela mandou uma mensagem informando que a editora estaria lançando uma nova coleção nos moldes da que compro, e se eu tivesse interesse, naturalmente a guardaria com todo grado. Ela soube, com base nas minhas informações, fazer vendas cruzadas, manter o cliente atualizado, fazer com que as pessoas comprem mais (ao invés de gastar algumas centenas de reais para conseguir novos clientes) e, talvez o mais importante, procura manter um relacionamento íntimo e duradouro com os seus clientes -  o principio básico de toda estratégia de Marketing de Relacionamento.
O seu sistema de Informação de Marketing é alimentado por sua habilidade de conhecer os seus clientes, por meio de conversas, observações e pedidos que os mesmos costumam fazer no momento da compra.
Sua comunicação com os clientes, ao menos em meu caso, faz parte das modernas táticas de Marketing de Permissão. Como ela possuí o meu telefone, poderia mandar uma enxurrada de informações à respeito de revistas de tudo quanto é tipo, mas não, existe apenas mensagens em datas especiais (natal e ano Novo) e quando chega a minha revista. É saber o limite entre uma mensagem importante e o inconveniente.
Com poucas ferramentas ao seu dispor, mas com uma vontade de satisfazer plenamente as necessidades e desejos de seus consumidores, Carmine é um ótimo exemplo da simplicidade do Marketing.
Por estas e outras que afirmo que o Marketing não tem mistério, seu custo é baixo e, basta apenas ter foco no cliente.
Bom pensamento mercadológico para você!!!!

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