terça-feira, 29 de junho de 2010

Desmistificando a Velocidade do Mundo Digital


Semana passada em um programa de rádio ouvi um comentário que me chamou atenção: o único lugar na face da terra em que o mundo digital é mais lento que o analógico é nas transmissões televisivas. Se você possui TV à cabo já deve reconhecer esta história - domingo, quando o Luiz Fabiano deu o primeiro chapéu no zagueiro de Costa do Marfim, já se podia ouvir seus vizinhos comemorando o gol. Frustrante, não é mesmo? Isso ocorre, segundo especialistas, devido ao fato das imagens digitais percorrerem um estágio a mais antes de chegar a sua residência para que possam melhorar a sua qualidade. Sabendo disso, e para evitar frustrações, vou assistir a final da Libertadores da América deste ano em minha cozinha, na boa e velha TV analógica.
Realmente a frase do entrevistado no programa de rádio é verdadeira, já que, com todas as tecnologias disponíveis as transformações no mercado ocorrem com uma velocidade impressionante. E, nesse cenário mercadológico, os profissionais de propaganda e marketing estão cada dia mais preocupados em como se relacionarem de uma maneira mais harmônica, com a infinidade de formatos existentes. Há pouco tempo atrás, existia uma quantidade muito menor no mix de comunicação; hoje já perdemos a conta. Mas não fique tão preocupado, pois os, se assim podemos dizer, antigos conceitos, estão cada dia mais fortalecidos. Ou seja, apesar de toda a profusão e velocidade das novas mídias, a essência é a mesma. Portanto, não jogue os seus livros de marketing fora (o Desmistificando o Marketing, então, JAMAIS!!!) pois eles estão mais atuais que nunca.
Neste cenário, você já reparou que toda empresa que procura um especialista para aconselhá-la em relação às formas de comunicação com o seu público alvo quer (ou exige) uma estratégia de marketing digital? Apenas esquecem, de antes de escolher as estratégias de mídia, algumas perguntas iniciais: Será que é isso que o meu consumidor esta interessado? Ele deu a permissão para usar estes formatos de comunicação? Pense bem, no mundo digital conhecer o consumidor de forma adequada e pedir permissão, é tudo. No atual contexto mercadológico é muito fácil falar com uma gama enorme de pessoas, mas será que é isso que eles realmente desejam? Será que a sua organização conhece profundamente os seus consumidores para usar estas tecnologias para falar com eles?
E como chegar a esse conhecimento aprofundado do consumidor e a tão sonhada permissão? Elementar meu caro Watson: mantendo uma filosofia de Marketing de Relacionamento. É usar todas as formas existentes pensando em marketing e aproveitar as novas tecnologias para manter um relacionamento íntimo e duradouro com os seus consumidores.
Algumas empresas antenadas a esta revolução tecnológica já começam a usar estratégias de marketing digital para, com a permissão dos consumidores, manter um relacionamento mais direto e duradouro com eles.
A Chanel criou um 2008 um aplicativo para Smartphones que apresenta vídeos de seus desfiles de moda e, caso exista interesse do consumidor, é traçado uma rota indicando qual o seu ponto de venda mais próximo. Notaram? Quem baixa o aplicativo é o consumidor. Desta forma ele esta permitindo que a empresa use sua estratégia de marketing para oferecer um produto ou serviço. E o mais interessante desta história, a Chanel pode alimentar o seu banco de dados com valiosas informações á respeito do perfil dos consumidores – Isto é Marketing de Relacionamento. Isto é o fortalecimento dos conceitos de marketing graças às novas tecnologias.
Nem os nossos cãezinhos se livraram das estratégias de marketing – mas não deixem o Thor saber disso – A Pedigree, nos EUA, criou um aplicativo que você pode gravar o latido do totó em seu celular e basta chacoalhá-lo para reproduzir o som. Já a Purina lançou um localizador de hotéis, pet shops, veterinário e abrigo. Isso é... permissão e relacionamento.
A Starbucks criou um cartão de fidelidade com o uso do celular, sem dizer do já famoso localizador de lojas e o uso do Twitter para obter e ouvir as críticas e sugestões de seus consumidores. A Kraft Foods oferece vídeos de receitas. Algumas vão mais além, fazendo com que os consumidores se tornem os verdadeiros criadores de produtos, como a enciclopédia digital Wikipédia onde são os visitantes que criam o conteúdo; a Microsoft colocou no ar uma versão de testes do Windows 7, para que fanáticos pudessem experimentar o produtos antes de entrar no mercado; a P&G criou um concurso para que os seus consumidores criassem a nova campanha do Doritos – a propaganda vitoriosa foi veiculada no intervalo do Super Bowl(final do campeonato norte-americano de futebol) , e entre outras estratégias de cocriação de produtos ou serviços.
É, o mundo digital esta cada vez mais rápido. Estamos presenciando uma revolução impressionante. Serve para fortalecer os conceitos que já foram criados há muito e muito tempo, não é mesmo? Note que as ferramentas mudam, mas a essência – foco no consumidor - cada vez mais se solidifica. Todos os formatos são apenas métodos mais adequadas de se adaptar aos novos anseios dos consumidores – puro marketing.
É assim, o mundo muda e o futebol... continua o mesmo : a seleção brasileira caminhando para a final e eu na frente de minha televisãozinha na cozinha.

domingo, 6 de junho de 2010

Vale a Pena ler...

Marketing 3.0 – Philip Kotler
Apesar dos críticos, ainda continuo achando Kotler um excelente autor. Gosto da sua forma de escrever e dos inúmeros exemplos que menciona. Neste novo livro ele aborda a evolução (para muitos, transformação) pela qual as empresas estão passando, não apenas as empresas mas também os consumidores. Acho muito bom o gráfico evolutivo dos conceitos de marketing.

FREE – Gratis: o futuro dos preços. – Chris Andreson
Uma nova forma de relacionamento entre as empresas e os seus consumidores sendo impulsionada pela economia digital. Vale pela reflexão, ou para pensar em novas estratégias de marketing.

Errar é humano. Admitir, é sabedoria.



A notícia que foi publicada nos meios de comunicação, e em meu caso particular na revista Exame da editora Abril, não é nova; mas as minhas atualizações no blog também não estão com a freqüência que deveria. Assim, considerando os dois momentos, vamos comentar uma estratégia no mínimo ousada, irreverente e corajosa usada pela segunda maior rede de pizzaria dos Estados Unidos, a Domino´s.
Cada vez mais as empresas estão percebendo que a sua empresa, marca e produtos são organismos vivos. Não falamos continuamente de ciclo de vida do produto, relacionamento com o ambiente externo, ambiente darwiniano, uso de atores ou atrizes de sucesso para avalizar os produtos ou marcas, personalidade das marcas? Assim, devido a essa percepção mercadológica, é algo normal estar sujeito a erros e trabalhar com todo afinco para manter os seus acertos em seus relacionamentos com os consumidores, e, principalmente, com a sociedade como um todo.
Ciente dessa situação, a Domino´s veiculou entre os meses de dezembro de 2009 e janeiro deste ano, uma série de documentários que mostra a péssima impressão que alguns consumidores tinham, ou ainda tem, de seus produtos. Assumiu, publicamente, os seus erros para obter a compreensão de seus consumidores de que esta trabalhando para melhorar os seus produtos.
O documentário mostra os clientes comentando que a borda de suas pizzas tem gosto de papelão ou que o molho parece ketchup. Essa inusitada estratégia parece que esta dando certo. Gerou um intenso boca a boca, principalmente nos meios eletrônicos com as inúmeras visitas ao Youtube. Aproveitando o viral que foi gerado, a empresa criou um micro site para registrar, sem nenhuma censura, a opinião negativa de seus consumidores em relação aos seus produtos. Um ato de coragem... ou ousadia. Ousadia esta que gera muito, mas muito viral em torno da marca.
O ato de assumir as suas fraquezas publicamente tem entre seus objetivos obter a simpatia de seus consumidores. Temos como hábito torcer por aquelas empresas mais fracas ou menores (lembram-se como muitos consumidores torceram pela Dolly em sua briga entre Davi e Golias com a Coca-Cola; ou como muitas pessoas torceram pela Assolan em sua briga com a líder de mercado Bombril? É do ser humano torcer pelos mais fracos. Quando você esta assistindo a um evento esportivo que não envolva o seu time, para quem você torce? Para o mais fraco, é claro!) que assumem os seus erros e demonstram a sua vontade de corrigir o que ocorreu e procurar acertar da próxima vez.
Nós como consumidores sabemos que as empresas estão sujeitas a deslizes e, se não virar uma rotina, como no caso da Telefônica com o seu serviço de banda larga, os consumidores entenderão e, podem ter certeza, darão uma segunda oportunidade para as organizações.
Agora, agir com superioridade como se fosse um Deus do Olimpo que não comete erros é a pior estratégia que uma organização pode usar – com a intensificação das mídias digitais as empresas estão cada vez mais vulneráveis à opinião de seus consumidores, principalmente as negativas - adoramos uma noticiazinha ruim, não é mesmo?
E, vejam que não faltam exemplos de empresas arrogantes que não assumem os seus erros. No caso da Volkswagen e o decapitador de dedos do Fox, o presidente da empresa mencionou que a culpa era dos consumidores que não leram o manual do proprietário ou que não sabiam usar corretamente o produto. Os pneus assassinos do Ford Explorer onde a empresa mencionou que a culpa era da Firestone, fabricante dos pneus, como se pudéssemos escolher qual a marca dos itens seria usada na fabricação do automóvel. Ou o esconde-esconde feito pela Toyota que não mencionou os problemas existentes no pedal de freio e aceleração de seus modelos, escondeu tanto que quando descobriram ficou uma imagem muito, mas muito negativa para as empresas, levando ao recall de milhares de unidades em todo o mundo, depois, é claro, que o estrago já esta feito. Bom são tantos exemplos que ficaríamos até amanhã os mencionando.
Portanto, talvez a saída não seja a ousadia da Domino´s de mostrar para todos a qualidade de seus produtos. Imaginem como ficou a situação daqueles consumidores que realmente gostam do produto, mas sim admitir, quando necessário as sua limitações. Saiba que os seus consumidores realmente gostam de sua organização, torcem pela sua empresa, pois, cada produto comprado é um sinal que de que concordam com a sua organização e que você esta no caminho certo.
Dessa forma, quando errar assuma a posição de que sua empresa é um organismo vivo, sujeito e erros e acertos... permita que os consumidores ofereçam uma segunda chance de acertar. Deixe que eles saibam dos erros por fontes seguras (a sua empresa) e não pela boca dos outros. Admita os seus erros e não tente escondê-los, afinal, errar é humano.

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