sábado, 14 de abril de 2012

O Mundo (mercadológico) é das Mulheres?


Sim... sem dúvida alguma. Mas, como sempre menciono em minhas aulas, algumas empresas ainda teimam em não aceitar esta condição. Acreditam que grande parte da decisão de compra ainda é do homem e direcionam todas as suas estratégias de marketing para este público – um grande engano. Teimam e assim, estão perdendo ótimas oportunidades de negócio.
O mais interessante neste caso é que sempre que faço estas colocações, com dados de mercado, o assunto gera muita discussão – é comum não aceitarem que algumas estratégias simplesmente negligenciam as mulheres e seu importante papel em termos de consumo, ou seja, que a estratégia é para o homem e não para as mulheres. Isso ocorre devido ao fato de ser  normal quando pensamos em termos de marketing focar nosso ponto de vista apenas em nossas percepções, ou seja, em nossa experiência de consumo (neste ponto que gera a discussão. Não é pelo fato de que uma empresa consegue enxergar a mulher como importante consumidora, que todas são da mesma opinião. Existe muita defasagem nas abordagens, ainda mais quando pensamos em mercados mais distantes dos grandes centros). Para que um profissional de marketing tenha sucesso, deve desenvolver a habilidade de se desprender de suas crenças e opiniões e, literalmente, “entrar na cabeça” de outras pessoas. Pensar como elas e analisar o mercado sob esta ótica. Este é o grande desafio. Como é difícil esta tarefa, o tema sempre gera várias discussões, salutares, é claro.
Na última edição da revista Exame (18/04/2012) apresenta uma entrevista com Michael Silverstein, líder da área de consumo da consultoria BCG que trata exatamente deste tema, a importância nas mulheres no mercado de consumo e a miopia que algumas empresas possuem ao tratar do tema.
A matéria menciona um estudo conduzido pela consultoria com 21.000 mulheres destacando que elas influenciam 70% dos gastos de consumo feito nos Estados Unidos, que vão desde itens para casa, quando a família vai tirar férias, redecorar a casa ou trocar de carro. No Brasil não é muito diferente, ao menos nos grandes centros. Digo ao menos nos grandes centros pois, como o país ainda passa por um processo de desenvolvimento em termos de consumo, em várias cidades ou nas grandes periferias, a decisão de compra ainda é do homem.O entrevistado é enfático em explicar que em países em desenvolvimento como a China e Índia as mulheres ainda estão dando os primeiros passos (leia-se, os homens que ainda decidem quase tudo). Já o Brasil, estamos em uma posição intermediária – as mulheres estão cada vez mais decidindo as compras, mas, em algumas regiões e setores, ainda prevalece a decisão do homem.
Outra constatação da entrevista que sempre mencionamos em sala de aula é que algumas empresas ainda não se deram conta do fenômeno as negligenciam em seus planos de marketing. Tome como exemplo os postos de gasolina (é impossível para uma mulher usar o banheiro), algumas revistas de negócio (são pouquíssimas propagandas para as mulheres) ou as companhias de cerveja (não existe propaganda para elas, quando existe, são tratadas de forma vulgar, simplesmente trocando atores masculinos por femininos sem uma mudança em seu roteiro).
Também é mencionado quais são os setores nos quais as mulheres não gostam de lidar porque o foco é no público masculino. Para os norte-americanos a ordem é a seguinte: serviços financeiros, bens de consumo duráveis e seguros. No Brasil a ordem é: carros, bancos e seguradoras. Ou seja, são áreas essencialmente pensadas para os homens. É a idéia de que o homem ainda é o grande provedor do lar.
Por final a entrevista aborda a diferença em termos dos gêneros de consumo, mas precisamente no relacionamento com os consumidores e o famoso marketing viral. Uma cliente satisfeita conta a dez amigas sua experiência. Já, uma descontente chega a falar com 100 pessoas!! É para pensar, ou seja, é para tratar melhor as mulheres no momento de compra e consumo.
Assim, vamos pensar um pouco mais nas mulheres e aproveitar as oportunidades de mercado.Bom pensamento mercadológico para vocês!!!

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